Há 62 anos nascia uma declaração ainda pouco respeitada
No dia 10 de dezembro de 1948, representantes da comunidade internacional se reuniram na sede da ONU para promulgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O objetivo daquela iniciativa era evitar que as barbaridades praticadas durante duas Guerras Mundiais voltassem a se repetir. Passados 62 anos, os direitos assegurados na declaração ainda estão longe de serem plenamente respeitados.![]() |
| 1947: primeira reunião em NY para elaborar a declaração |
Recentemente, pessoas foram agredidas na principal avenida da cidade de São Paulo pelo simples fato de serem homossexuais. No final de semana passada, um jovem foi espancado até a morte por usar uma camisa azul de uma equipe de futebol em Minas Gerais.
Essas agressões são um pequeno exemplo do caminho que ainda nos espera até a plena aplicação dos direitos básicos. Demonstram, também, que a Declaração Universal dos Direitos Humanos não é uma garantia para tempos de guerra ou para países em que não há democracia. Os direitos fundamentais, vitais para a vida em sociedade, continuam sendo violados diariamente em todo o mundo.
Hoje, a grande maioria dos países têm incorporados a seus ordenamentos jurídicos os direitos humanos. No entanto, a simples presença desses princípios em Constituições e Códigos não garante sua vigência. O desconhecimento dos direitos faz com que a sociedade deixe de exigi-los e permite que eles continuem sendo desrespeitados.
Saiba mais:
- Os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
- Faça o download do livro Brasil Direitos Humanos 2008: a realidade do país aos 60 anos da Declaração Universal, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República
Ignorância e senso comum
“Nunca tive ânsia de ver torturados os torturadores que conheci. Não por virtude ou compaixão. Mas para não me ver rebaixado à inumanidade deles.” O testemunho é de Frei Betto, que foi torturado e passou quatro anos de sua vida preso por praticar o “crime”de pensar. O dominicano sobreviveu (sorte que muitos não tiveram) e continuou sua luta. Manteve seus ideais e crença na humanidade. Assim, derrotou seus torturadores. Por ter seus direitos mais fundamentais violados, Frei Betto sabe o quanto eles são valiosos. A resposta ao terrorismo (inclusive o de Estado) é a aplicação dos direitos humanos e não a sua violação.
Ricardo Viel é repórter, formado em direito, e foi voluntário da Anistia Internacional durante 7 anos

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