Postado por Jornal A Razão em Quarta-feira, Maio 6, 2009, 10:37
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Advogado Tonetto e Danclar mostram a sentença do processo vencido: R$30 mil. Para o professor, o importante foi recuperar a honra. Foto Osvaldo Melo / A Razão
Depois de quase quatro anos, finalmente, o diretor da Escola Estadual Augusto Ruschi, Danclar Rossato conseguiu recuperar a autoestima. Isso porque ele ganhou processo indenizatório por danos morais do Estado por ter sido levado de sala de aula por policiais civis de Faxinal do Soturno sob acusação de homicídio após denúncia anônima dada um ano após o crime e não investigada. Danclar era inocente.
“Era uma questão de moral e de honra, além de educativa, pois mostra como a polícia não deve proceder”, comentou o diretor Danclar Rossato, que no último dia 28 de abril teve parte do prejuízo recuperado ao ver a sentença do processo. O Estado foi condenado a pagar R$30 mil ao professor, pela pretora da 1ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública de Santa Maria, Denize Sassi, que apontou negligência e falta de zelo da polícia no caso.
Em 2006, Danclar, com a ajuda do advogado Daniel Tonetto, já havia conseguido provar sua inocência, mas ainda não era o suficiente para o professor, que até hoje sofre de depressão decorrente da acusação infundada. Ele havia passado mais de um ano (a polícia o abordou no dia 21 de junho de 2005) sob risco de ser preso por crime que não cometeu e para o qual não havia prova que o ligasse ao ocorrido.
“Perdi a moral, pois, mesmo inocente, eles invadiram meu local de trabalho, atravessei toda a escola escoltado pelos policiais, fui revistado sem mesmo possuir arma e em pleno pátio. Além disso, prenderam minha camionete durante 20 dias e, por isso, até perdi o meu emprego em Nova Palma”, revela Danclar.
Os policiais, que já haviam arquivado o caso por não encontrarem o suspeito, chegaram ao professor após denúncia anônima apontar a camionete F1000 vermelha com detalhes em prata de Danclar como a envolvida em acidente com morte ocorrido em uma estrada do interior de São João do Polêsine (precisamente no km 132) no ano anterior (2004). O denunciante afirmou que o professor teria escondido a camionete por dois dias e em seguida saído com partes pintadas.
Porém, segundo o que consta no processo, a testemunha ocular do crime viu quando uma camionete F250 de cor preta atropelou um indigente que estava deitado na rua e fugiu sem prestar socorro. Tanto a juíza como o diretor demonstraram surpresa com a forma como a polícia tratou o caso, partindo de uma denúncia anônima de veículo cuja descrição não batia com a apresentada pela testemunha.
“Eles vieram dentro da minha escola, surpreendendo meus alunos e colegas, baseados na denúncia sem fundamento, já que os modelos F250 (que foi o envolvido no atropelamento) e F1000 (o meu) são bem diferentes”, afirma o diretor Danclar. “Imagina se essa moda pega”, brincou o advogado Tonetto. O Estado ainda poderá recorrer contra a decisão no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).
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